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Energia e desenvolvimento sustentável

postado em 2 de mar de 2011 10:46 por Rodrigo Silva   [ 2 de mar de 2011 10:51 atualizado‎(s)‎ ]

Energia e desenvolvimento sustentável
Escrito por Carlos Leao
Sex, 08 de Outubro de 2010 12:04

Benedito Antonio Luciano
Professor do Departamento de Engenharia Elétrica/UFCG


Matéria publicada no informativo eletrônico “Newsletter Ambiente”, número 38, edição de 4 de outubro de 2010, dá conta que a Política de Sustentabilidade das empresas do Sistema Eletrobras foi aprovada no mês anterior.
 
Segundo o citado informativo, o objetivo dessa política é estabelecer diretrizes para nortear as ações das empresas do grupo nas questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, à responsabilidade social, ao meio ambiente, à sustentabilidade do negócio e à governança. Além das diretrizes, a Política aponta as responsabilidades das diretorias das empresas, do Comitê de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras e das unidades organizacionais.
 
Quando ouço ou leio a expressão “desenvolvimento sustentável”, recordo a definição dada por Gisbert Glaser, consultor sênior do Conselho Internacional de Ciência: “Desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social, prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atuais e futuras”. Esta definição pode ser encontrada na página 17 do livro “A vingança de Gaia”, escrito pelo renomado ambientalista James Lovelock.
 
O termo “desenvolvimento sustentável” também pode ser definido como a satisfação das necessidades atuais da sociedade sem comprometer a possibilidade de atendimento das necessidades das gerações futuras.
 
Efetivamente, o termo desenvolvimento está intimamente relacionado ao uso da energia e ao desenvolvimento dos povos ao longo da história das civilizações. Desenvolvimento este acompanhado do aumento na utilização dos recursos naturais: lenha, carvão, quedas d’água, petróleo, dentre outros, produzindo importantes alterações no ambiente, na maioria das vezes, de forma negativa.
 
Importante ressaltar que ao nos reportarmos ao termo energia, estamos falando sobre o fluxo de energia, algo passível de ser convertido em calor, luz, movimento e promover mudança de estado. Igualmente importante frisar que todos os processos de conversão energética dominados pelo Homem, atualmente, causam, em maior ou menor grau, danos ambientais.
 
Partindo dessas premissas, é chegado o momento de desmistificar o que nos meios de comunicação é chamado de energia limpa ou energia renovável. A energia obtida a partir da queima do petróleo é considerada não-renovável, mas o dióxido de carbono produzido é processado pelas plantas, e uma parte dele acaba sendo soterrada para formar mais combustível fóssil. Por outro lado, a queima de energéticos cultivados, é considerada energia renovável. Mas, se tentássemos abastecer dessa maneira a maioria dos meios de transportes no mundo atual, apressaríamos, em vez de retardar, o início da catástrofe que já se abate sobre a Terra, decorrente do uso inadequado dos recursos energéticos. Visto que, a terra usada para cultivar a matéria prima dos combustíveis é necessária para produzir alimentos e, mais importante, para preservar o meio ambiente como meio de vida.
 
O desafio de conciliar o emprego das energias com o desenvolvimento sustentável passa, portanto, pelo domínio dos processos de conversão energética sob a perspectiva do uso eficiente da energia, reduzindo perdas e eliminando desperdícios. As perdas são inerentes aos processos de conversão e podem ser minimizadas, mediante o emprego de novas tecnologias. Os desperdícios estão relacionados diretamente com a falta de educação, que leva ao uso perdulário dos recursos energéticos e à falta de compromisso com a sustentabilidade.

Reflexões sobre universidade

postado em 2 de mar de 2011 10:40 por Rodrigo Silva   [ 2 de mar de 2011 10:45 atualizado‎(s)‎ ]

Reflexões sobre universidade
 
Mário Araújo Filho
Professor do Curso de Engenharia Elétrica/UFCG

No meio acadêmico, todo mundo tem muito claro que as atividades-fim da Universidade são Ensino, Pesquisa e Extensão. Em geral, refere-se a ensino de graduação e pós-graduação, atividade investigativa e de geração de conhecimento, extensão – à sociedade – do conhecimento produzido na instituição. Às três atividades-fim acrescenta-se ainda a exigência de que sejam realizadas de forma indissociável, como estabelece a constituição brasileira. É o famoso princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

 

 

Cabendo à instituição universitária realizar essas três atividades, há quem questione se cabe também a cada professor universitário, como indivíduo, realizá-las todas. Li certa vez um texto de José Arthur Gianotti, filósofo e professor da USP, em que ele afirmava (e cito de memória, com o risco da imprecisão) que a universidade precisa de bons professores, absolutamente dedicados ao ensino, mas sem nenhum interesse por atividades de laboratório; a universidade precisa de professores que sejam excelentes pesquisadores, mas sem nenhuma vocação para dar aulas; e, completava, precisa também de “burocratas universitários competentes”, para ter quem bem a administre.

 

 

Polêmico, cáustico, autor de “A universidade em ritmo de barbárie”, Gianotti deve ter escandalizado muita gente com essas suas considerações, que atingem em cheio o dogma da indissociabilidade, separando o que “todo mundo” acha que não se pode separar: basicamente, o ensino da pesquisa e vice-versa. O curioso é que aquilo que é brandido como verdade absoluta, quase sagrada no meio acadêmico, não raro tem pouquíssima correspondência com a prática real nos territórios dos campi.

 

 

Não necessariamente, os melhores professores de graduação, por exemplo, serão os que tenham a chamada “formação completa”, isto é, o título de doutor - considerado habilitação para coordenar equipes de pesquisa. Não raro, constitui verdadeiro desperdício arrancar docentes vocacionados para a investigação científica, dos laboratórios para as salas-de-aula da graduação, ou mesmo para desenvolver atividades administrativas.

 

 

Continuando a mexer nessa autêntica casa-de-marimbondos acadêmica, poderíamos ainda constatar: não existe instituição de educação superior (IES) sem alunos de graduação. A IES pode não ter pesquisa institucionalizada, nem mesmo pós-graduação e nenhuma atividade de extensão, mas terá, necessariamente, que contar com estudantes em nível de graduação para ser considerada instituição de educação superior. Diferentemente, um instituto de pesquisa não precisará de alunos para justificar sua existência.

 

 

Já foi praticamente consensual definir IES de excelência como aquela onde seus professores fossem todos doutores, em regime de tempo integral e dedicação exclusiva (retide). Hoje, há unidades de excelência que optam por ter parte dos seus professores em tempo parcial, não necessariamente doutores, mas que tenham um pé no mercado de trabalho, para trazer para a sala-de-aula a realidade lá de fora. Para que possam formar profissionais sintonizados com a evolução da vida real, e que ocorre fora das cercas dos campi.


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