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Desafios a serem enfrentados pelos novos alunos de Engenharia Elétrica

postado em 22 de mai de 2017 08:05 por Rodrigo Silva

Mário Araújo
Mário Araújo Filho
Coordenador do Curso de Engenharia Elétrica/UFCG






Prezados estudantes que acabam de iniciar seu Curso de Engenharia Elétrica:
Ontem, fiquei imaginando que tipo de mensagem deveria dirigir a vocês, novos alunos do Curso de Engenharia Elétrica, recém-chegados ao ambiente da Universidade e que iniciam o período 2017.1.
Já nos encontramos por duas vezes nas salas de “Introdução à Engenharia Elétrica”, disciplina que fica tradicionalmente a cargo do Coordenador do Curso, e não gostaria de ser repetitivo. Que mensagem nova poderia e deveria transmitir a vocês nesse momento?
Ontem à tarde, participamos, juntamente com o nosso Diretor, professor José Sérgio, da solenidade de colação de grau das turmas concluintes do período 2016.2. Esses concluintes, em número de 216, eram de cursos vinculados a três Centros: o de Engenharia Elétrica e Informática – o CEEI, do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) e do Centro de Tecnologia e Recursos Naturais (CTRN). Outros 104 graduandos desses Centros já haviam colado grau antecipadamente, totalizando 320 formandos. Na ocasião, foram graduados pelo Curso de Engenharia Elétrica um total de 32 engenheiros eletricistas, afora outros 36 que já haviam colado grau em semanas anteriores à cerimônia formal, totalizando 68 graduados, um recorde na Engenharia Elétrica da UFCG.
Destaco aqui a conquista, por dois graduandos em Engenharia Elétrica, do 1º e 2º lugar do Prêmio Hattori, que homenageia os concluintes de melhor desempenho acadêmico do Centro de Engenharia Elétrica e Informática. Os estudantes Arthur Francisco Andrade e Arthur Cruz de Araújo alcançaram, respectivamente, um CRA (coeficiente de rendimento acadêmico) de 9,12 e 8,96, respectivamente.
A colação de grau é um evento exatamente simétrico a este, de recepção aos estudantes que chegam à Universidade.
Lá, no Auditório do Centro de Convenções, deu-se a cerimônia que marca o ato formal de saída da universidade, devidamente graduados, com seus certificados de conclusão, de dezenas de concluintes dos cursos de graduação das áreas de tecnologia e ciências exatas da UFCG em Campina Grande.
Era o coroamento de anos e anos de estudos, de esforços, de dedicação e de sacrifícios, pela conquista do diploma universitário que os habilita a atuar no mercado de trabalho.
Um evento festivo, de muita alegria para os graduandos e suas famílias, mas, sobretudo, carregado de responsabilidade para aqueles que irão enfrentar os desafios da sua profissão, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do País e para o progresso da sociedade brasileira.
Aqui, a chegada dos novos alunos de Engenharia Elétrica, também um evento pleno de alegria pelo ingresso na universidade, mas também carregado de responsabilidade pelos desafios que se colocam a todos, na condição de estudantes que aqui estão em busca de conhecimento.

Em busca do conhecimento necessário ao profissional do futuro, de uma formação de qualidade que os habilite, ao final de uma jornada de vários anos, a atuar com competência e compromisso social em um mercado de trabalho extremamente competitivo e que exige sólida formação dos que nele pretendam atuar com sucesso.
Uma atuação profissional, além disso, que seja orientada pela Ética, valor tão escasso hoje em nosso País, seja no campo político-administrativo, seja na atividade empresarial.
O orador representante dos concluintes 2016.2, em seu pronunciamento, destacou a alegria da ocasião, mas também o privilégio dos que ali estavam colando grau, lembrando o alto percentual de jovens que ainda não têm acesso à formação universitária, apesar do significativo crescimento da oferta de vagas ocorrido nos últimos anos. E destacou a responsabilidade de todos no exercício da sua profissão, como contrapartida à oportunidade recebida de acesso à educação superior.
Vocês, novos alunos, estão diante de uma página em branco, onde poderão – em que pesem todas as dificuldades e obstáculos – escrever sua melhor trajetória, desenhar o seu currículo e ser construtores da sua própria história.
Vocês adquiriram, por mérito, a condição de aqui estar, matriculados em um Curso de mais de 50 anos de existência, reconhecido nacionalmente, e que hoje se situa entre os cursos de Eng. Elétrica melhor avaliados do País.
A vida acadêmica vai exigir dedicação, empenho, responsabilidade e ética no cumprimento dos deveres de estudante. Mas também se constitui no tempo-espaço da interação, do companheirismo e da amizade, desenvolvidos ao longo de anos de convivência em comum, e que vocês recordarão ao longo das suas vidas.
Finalmente, parabenizo ao Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica por essa iniciativa e deixo para reflexão duas mensagens.
A primeira, de Thomas Alva Edison, inventor e cientista, empresário americano, a quem se deve a patente da lâmpada elétrica incandescente: Disse Edison: “Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”. E com isso ele quis, evidentemente, destacar a importância do trabalho para as realizações efetivas.
A segunda mensagem, um provérbio chinês que diz: “Os professores abrem a porta, mas você precisa entrar sozinho” – situando bem o papel do docente, e salientando o objetivo final do processo educativo, que é a conquista da autonomia dos que são objeto dele.
Bem-vindos ao Curso de Engenharia Elétrica! Muito obrigado!
Campina Grande, 18 de maio de 2017
*Mário de Sousa Araújo Filho é Coordenador do Curso de Graduação em Engenharia Elétrica da UFCG
(SAUDAÇÃO AOS CALOUROS DE ENGENHARIA ELÉTRICA NO EVENTO DE RECEPÇÃO AOS NOVOS ALUNOS, DO PERÍODO 2017.1)

As afirmações e conceitos emitidos em artigos assinados são de absoluta responsabilidade dos seus autores, não expressando necessariamente a opinião da instituição.

Energia e Desenvolvimento Sustentável

postado em 27 de mar de 2017 14:24 por Leonardo da Costa   [ atualizado em 22 de mai de 2017 08:07 por Rodrigo Silva ]

Benedito Antonio Luciano
Benedito Antonio Luciano
Professor do Departamento de Engenharia Elétrica/UFCG






Matéria publicada no informativo eletrônico “Newsletter Ambiente”, número 38, edição de 4 de outubro de 2010, dá conta que a Política de Sustentabilidade das empresas do Sistema Eletrobras foi aprovada no mês anterior.

Segundo o citado informativo, o objetivo dessa política é estabelecer diretrizes para nortear as ações das empresas do grupo nas questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, à responsabilidade social, ao meio ambiente, à sustentabilidade do negócio e à governança. Além das diretrizes, a Política aponta as responsabilidades das diretorias das empresas, do Comitê de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras e das unidades organizacionais.
 
Quando ouço ou leio a expressão “desenvolvimento sustentável”, recordo a definição dada por Gisbert Glaser, consultor sênior do Conselho Internacional de Ciência: “Desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social, prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atuais e futuras”. Esta definição pode ser encontrada na página 17 do livro “A vingança de Gaia”, escrito pelo renomado ambientalista James Lovelock.
 
O termo “desenvolvimento sustentável” também pode ser definido como a satisfação das necessidades atuais da sociedade sem comprometer a possibilidade de atendimento das necessidades das gerações futuras.

Efetivamente, o termo desenvolvimento está intimamente relacionado ao uso da energia e ao desenvolvimento dos povos ao longo da história das civilizações. Desenvolvimento este acompanhado do aumento na utilização dos recursos naturais: lenha, carvão, quedas d’água, petróleo, dentre outros, produzindo importantes alterações no ambiente, na maioria das vezes, de forma negativa.

Importante ressaltar que ao nos reportarmos ao termo energia, estamos falando sobre o fluxo de energia, algo passível de ser convertido em calor, luz, movimento e promover mudança de estado. Igualmente importante frisar que todos os processos de conversão energética dominados pelo Homem, atualmente, causam, em maior ou menor grau, danos ambientais.
 
Partindo dessas premissas, é chegado o momento de desmistificar o que nos meios de comunicação é chamado de energia limpa ou energia renovável. A energia obtida a partir da queima do petróleo é considerada não-renovável, mas o dióxido de carbono produzido é processado pelas plantas, e uma parte dele acaba sendo soterrada para formar mais combustível fóssil. Por outro lado, a queima de energéticos cultivados, é considerada energia renovável. Mas, se tentássemos abastecer dessa maneira a maioria dos meios de transportes no mundo atual, apressaríamos, em vez de retardar, o início da catástrofe que já se abate sobre a Terra, decorrente do uso inadequado dos recursos energéticos. Visto que, a terra usada para cultivar a matéria prima dos combustíveis é necessária para produzir alimentos e, mais importante, para preservar o meio ambiente como meio de vida.
 
O desafio de conciliar o emprego das energias com o desenvolvimento sustentável passa, portanto, pelo domínio dos processos de conversão energética sob a perspectiva do uso eficiente da energia, reduzindo perdas e eliminando desperdícios. As perdas são inerentes aos processos de conversão e podem ser minimizadas, mediante o emprego de novas tecnologias. Os desperdícios estão relacionados diretamente com a falta de educação, que leva ao uso perdulário dos recursos energéticos e à falta de compromisso com a sustentabilidade.

Reflexões sobre Universidade

postado em 27 de mar de 2017 13:54 por Leonardo da Costa   [ atualizado em 22 de mai de 2017 08:07 por Rodrigo Silva ]

Mário Araújo Filho
Mário Araújo Filho
Professor do Curso de Engenharia Elétrica/UFCG






No meio acadêmico, todo mundo tem muito claro que as atividades-fim da Universidade são Ensino, Pesquisa e Extensão. Em geral, refere-se a ensino de graduação e pós-graduação, atividade investigativa e de geração de conhecimento, extensão – à sociedade – do conhecimento produzido na instituição. Às três atividades-fim acrescenta-se ainda a exigência de que sejam realizadas de forma indissociável, como estabelece a constituição brasileira. É o famoso princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.


Cabendo à instituição universitária realizar essas três atividades, há quem questione se cabe também a cada professor universitário, como indivíduo, realizá-las todas. Li certa vez um texto de José Arthur Gianotti, filósofo e professor da USP, em que ele afirmava (e cito de memória, com o risco da imprecisão) que a universidade precisa de bons professores, absolutamente dedicados ao ensino, mas sem nenhum interesse por atividades de laboratório; a universidade precisa de professores que sejam excelentes pesquisadores, mas sem nenhuma vocação para dar aulas; e, completava, precisa também de “burocratas universitários competentes”, para ter quem bem a administre.

Polêmico, cáustico, autor de “A universidade em ritmo de barbárie”, Gianotti deve ter escandalizado muita gente com essas suas considerações, que atingem em cheio o dogma da indissociabilidade, separando o que “todo mundo” acha que não se pode separar: basicamente, o ensino da pesquisa e vice-versa. O curioso é que aquilo que é brandido como verdade absoluta, quase sagrada no meio acadêmico, não raro tem pouquíssima correspondência com a prática real nos territórios dos campi.


Não necessariamente, os melhores professores de graduação, por exemplo, serão os que tenham a chamada “formação completa”, isto é, o título de doutor - considerado habilitação para coordenar equipes de pesquisa. Não raro, constitui verdadeiro desperdício arrancar docentes vocacionados para a investigação científica, dos laboratórios para as salas-de-aula da graduação, ou mesmo para desenvolver atividades administrativas.


Continuando a mexer nessa autêntica casa-de-marimbondos acadêmica, poderíamos ainda constatar: não existe instituição de educação superior (IES) sem alunos de graduação. A IES pode não ter pesquisa institucionalizada, nem mesmo pós-graduação e nenhuma atividade de extensão, mas terá, necessariamente, que contar com estudantes em nível de graduação para ser considerada instituição de educação superior. Diferentemente, um instituto de pesquisa não precisará de alunos para justificar sua existência.


Já foi praticamente consensual definir IES de excelência como aquela onde seus professores fossem todos doutores, em regime de tempo integral e dedicação exclusiva (retide). Hoje, há unidades de excelência que optam por ter parte dos seus professores em tempo parcial, não necessariamente doutores, mas que tenham um pé no mercado de trabalho, para trazer para a sala-de-aula a realidade lá de fora. Para que possam formar profissionais sintonizados com a evolução da vida real, e que ocorre fora das cercas dos campi.

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