Energia e Desenvolvimento Sustentável

postado em 27 de mar de 2017 14:24 por Leonardo da Costa   [ atualizado em 22 de mai de 2017 08:07 por Rodrigo Silva ]
Benedito Antonio Luciano
Benedito Antonio Luciano
Professor do Departamento de Engenharia Elétrica/UFCG






Matéria publicada no informativo eletrônico “Newsletter Ambiente”, número 38, edição de 4 de outubro de 2010, dá conta que a Política de Sustentabilidade das empresas do Sistema Eletrobras foi aprovada no mês anterior.

Segundo o citado informativo, o objetivo dessa política é estabelecer diretrizes para nortear as ações das empresas do grupo nas questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, à responsabilidade social, ao meio ambiente, à sustentabilidade do negócio e à governança. Além das diretrizes, a Política aponta as responsabilidades das diretorias das empresas, do Comitê de Sustentabilidade das Empresas Eletrobras e das unidades organizacionais.
 
Quando ouço ou leio a expressão “desenvolvimento sustentável”, recordo a definição dada por Gisbert Glaser, consultor sênior do Conselho Internacional de Ciência: “Desenvolvimento sustentável é um alvo móvel. Representa o esforço constante em equilibrar e integrar os três pilares do bem-estar social, prosperidade econômica e proteção ambiental em benefício das gerações atuais e futuras”. Esta definição pode ser encontrada na página 17 do livro “A vingança de Gaia”, escrito pelo renomado ambientalista James Lovelock.
 
O termo “desenvolvimento sustentável” também pode ser definido como a satisfação das necessidades atuais da sociedade sem comprometer a possibilidade de atendimento das necessidades das gerações futuras.

Efetivamente, o termo desenvolvimento está intimamente relacionado ao uso da energia e ao desenvolvimento dos povos ao longo da história das civilizações. Desenvolvimento este acompanhado do aumento na utilização dos recursos naturais: lenha, carvão, quedas d’água, petróleo, dentre outros, produzindo importantes alterações no ambiente, na maioria das vezes, de forma negativa.

Importante ressaltar que ao nos reportarmos ao termo energia, estamos falando sobre o fluxo de energia, algo passível de ser convertido em calor, luz, movimento e promover mudança de estado. Igualmente importante frisar que todos os processos de conversão energética dominados pelo Homem, atualmente, causam, em maior ou menor grau, danos ambientais.
 
Partindo dessas premissas, é chegado o momento de desmistificar o que nos meios de comunicação é chamado de energia limpa ou energia renovável. A energia obtida a partir da queima do petróleo é considerada não-renovável, mas o dióxido de carbono produzido é processado pelas plantas, e uma parte dele acaba sendo soterrada para formar mais combustível fóssil. Por outro lado, a queima de energéticos cultivados, é considerada energia renovável. Mas, se tentássemos abastecer dessa maneira a maioria dos meios de transportes no mundo atual, apressaríamos, em vez de retardar, o início da catástrofe que já se abate sobre a Terra, decorrente do uso inadequado dos recursos energéticos. Visto que, a terra usada para cultivar a matéria prima dos combustíveis é necessária para produzir alimentos e, mais importante, para preservar o meio ambiente como meio de vida.
 
O desafio de conciliar o emprego das energias com o desenvolvimento sustentável passa, portanto, pelo domínio dos processos de conversão energética sob a perspectiva do uso eficiente da energia, reduzindo perdas e eliminando desperdícios. As perdas são inerentes aos processos de conversão e podem ser minimizadas, mediante o emprego de novas tecnologias. Os desperdícios estão relacionados diretamente com a falta de educação, que leva ao uso perdulário dos recursos energéticos e à falta de compromisso com a sustentabilidade.